Doença do Disco Intervertebral (IVDD): Compressão da Medula Espinhal
IVDD é uma causa comum de dor nas costas e paralisia em cães. Conhecer os sinais pode significar a diferença entre recuperação e dano permanente.
A doença do disco intervertebral ocorre quando os discos de amortecimento entre as vértebras espinhais herniam ou incham, comprimindo a medula espinhal ou as raízes nervosas. É uma das condições neurológicas mais comuns em cães, especialmente em raças condrodistróficas (costas longas e pernas curtas).
Pontos-chave
- A DDIV é classificada como Hansen Tipo I (extrusão) ou Tipo II (protrusão)
- Os Dachshunds, Shih Tzus, Beagles e Bulldogs Franceses apresentam o risco mais elevado
- Os sinais variam entre dor ligeira nas costas e paralisia completa
- A cirurgia nas primeiras 24 horas oferece a melhor probabilidade de recuperação nos casos graves
- O tratamento conservador pode ser adequado em casos ligeiros, apenas com dor
- Os cães paralisados que mantêm a sensibilidade à dor profunda têm uma probabilidade superior a 90% de recuperação com cirurgia
Como Herniam os Discos
Na DDIV de Tipo I, o núcleo pulposo gelatinoso do disco extrude-se através de uma rotura do ânulo externo, comprimindo a medula espinal de forma súbita. Isto é comum em raças condrodistróficas e pode ocorrer após uma atividade normal, como saltar de cima de móveis. A DDIV de Tipo II envolve a protrusão gradual do próprio ânulo, observada em raças de maior porte como os Pastores Alemães e os Labradores. Ambos os tipos provocam compressão, inflamação e, por vezes, isquemia da medula espinal.
Reconhecer os Graus
Grau 1: Apenas dor — relutância em mover-se, dorso arqueado, choro ao ser pegado ao colo. Grau 2: Paraparesia ambulatória — patas traseiras fracas e trémulas, mas ainda consegue caminhar. Grau 3: Paraparesia não ambulatória — não consegue manter-se de pé nem caminhar, mas mantém movimento voluntário. Grau 4: Paraplegia com dor profunda — sem movimento voluntário, mas ainda sente dor profunda quando os dedos são beliscados. Grau 5: Paraplegia sem dor profunda — sem movimento e sem dor profunda. Este é o grau mais crítico.
Tratamento de Emergência
Nos Graus 4-5, é necessária uma RM ou mielografia por TC para localizar a lesão, seguida de descompressão cirúrgica imediata (hemilaminectomia). O prognóstico sem cirurgia é reservado no Grau 5. Nos Graus 1-3, o tratamento conservador inclui repouso rigoroso em jaula durante 4-6 semanas, medicação analgésica, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. A cirurgia é considerada caso a função neurológica se agrave ou não melhore no espaço de dias.
Recuperação a Longo Prazo
Os cães submetidos a cirurgia costumam apresentar melhorias no espaço de dias a semanas. A fisioterapia — incluindo passadeira aquática, mobilização passiva e laserterapia — acelera a recuperação. A expressão da bexiga é necessária até que o controlo voluntário regresse. Muitos cães recuperam a função ambulatória no espaço de 2-3 meses. Os cães que perdem a sensibilidade à dor profunda têm um prognóstico reservado, mesmo com cirurgia. As medidas preventivas incluem o controlo do peso, evitar escadas, utilizar rampas e não saltar para cima ou para fora de móveis.
Quando consultar um veterinário imediatamente
- O seu cão grita de dor ou recusa-se a mover
- O dorso está arqueado e o ventre está tenso
- As patas traseiras estão fracas, trémulas ou completamente paralisadas
- O seu cão não consegue urinar voluntariamente
- A sensibilidade à dor profunda está ausente quando belisca os dedos
Este artigo é apenas para fins educacionais e não substitui o aconselhamento veterinário profissional. Se o seu animal apresentar algum sintoma, entre em contacto imediatamente com o Royal Veterinary Center pelo telefone +853 6677 6611.