
Répteis e Anfíbios
Píton-real
Python regius
Nível de cuidados
Iniciante
Esperança de vida
20 a 30 anos, ocasionalmente 40 ou mais
Tamanho adulto
Machos 90 a 120 cm, fêmeas 120 a 150 cm
Uma píton africana tímida e de movimentos lentos, cujo nome se deve ao hábito de se enrolar numa bola cerrada quando está sob stress. É meiga, longeva e existe numa enorme variedade de morfos, o que a torna muito popular. A sua principal particularidade é ser sensível ao jejum e poder recusar alimento durante semanas, sobretudo em condições de maneio deficientes, pelo que a segurança e a estabilidade das condições são importantes.
Alojamento e montagem
Um adulto necessita de um recinto seguro, de abertura frontal, de pelo menos 120 x 60 x 60 cm (uma montagem de 4 x 2 x 2 pés); os vivários de madeira ou PVC de paredes sólidas retêm o calor e a humidade melhor do que os aquários de rede aberta. Disponibilize um substrato que retenha humidade, como casca de coco, casca de cipreste triturada ou solo bioativo, e pelo menos dois esconderijos justos (quente e frio), além de bastante desordem, cortiça e ramos para que a cobra se sinta abrigada. Inclua uma tigela de água robusta e suficientemente grande para se submergir. As pítons-reais valorizam mais a segurança do que o espaço de chão aberto, pelo que um recinto densamente mobilado reduz o stress.
Dieta e alimentação
Carnívora alimentada com roedores inteiros. Ofereça um rato ou ratinho de tamanho adequado, congelado e descongelado, com sensivelmente a circunferência do ponto mais largo da cobra, evitando presas vivas, que podem morder e ferir a cobra. Alimente os recém-nascidos semanalmente, os juvenis a cada 7 a 10 dias e os adultos a cada 10 a 21 dias; os adultos de grande porte lidam bem com um rato a cada duas a três semanas. Os jejuns sazonais ou associados à reprodução são comuns e, em geral, inofensivos se a condição corporal se mantiver, mas a recusa persistente justifica uma revisão do maneio e um exame veterinário.
Temperatura, luz e ambiente
Disponibilize uma zona de aquecimento na extremidade quente de 31 a 33 C e uma extremidade fria de 25 a 27 C, nunca deixando o recinto descer abaixo de cerca de 24 C, com uma ligeira descida noturna; controle todo o calor com um termóstato e evite montagens só com tapete de aquecimento para estas serpentes de corpo grande. O UVB não é necessário, mas o UVB de baixa intensidade (um UVI no ponto de aquecimento de cerca de 1,0 a 3,0, com esconderijos disponíveis para sombra) é cada vez mais recomendado como benéfico. Mantenha a humidade em torno de 55 a 70 por cento, subindo para 70 a 80 por cento durante a muda, e utilize um ciclo de luz de 12 horas; a humidade cronicamente baixa causa mudas presas e problemas respiratórios.
Companhia e manuseamento
Solitária. As pítons-reais devem ser mantidas uma por recinto, pois a coabitação causa competição, jejum associado ao stress, propagação de doenças e dificuldade em monitorizar a alimentação e a saúde. São calmas e toleram o manuseamento suave e apoiado, embora os indivíduos nervosos possam enrolar-se em bola; dê-lhes descanso após a alimentação e durante a muda.
Enriquecimento e exercício
Encha o recinto com esconderijos, tubos de cortiça, ramos e desordem por onde trepar e se esconder, e ofereça um substrato profundo para cavar. Novos rastos de cheiro, decoração reorganizada e, ocasionalmente, recintos maiores para exploração incentivam o comportamento natural nesta serpente, de resto sedentária.
Problemas de saúde comuns
Infeção respiratória
Sinais: Respiração de boca aberta, sibilos ou estalidos, muco ou bolhas no nariz ou na boca, cabeça mantida erguida
Prevenção: Mantenha as temperaturas corretas, mantenha uma humidade adequada sem humidade estagnada e assegure uma boa ventilação
Disecdise (muda retida)
Sinais: Muda a soltar-se aos pedaços, escamas oculares retidas, ponta da cauda presa que pode constringir
Prevenção: Mantenha a humidade em torno de 60 a 70 por cento, aumente-a durante a muda e disponibilize um esconderijo húmido e superfícies rugosas
Estomatite infecciosa (mouth rot)
Sinais: Inchaço, vermelhidão ou pus caseoso na boca, salivação, recusa de alimento
Prevenção: Mantenha o maneio correto, evite lesões na boca provocadas por presas vivas e trate prontamente os sinais iniciais com um veterinário
Obesidade
Sinais: Pregas de pele visíveis, perda da forma corporal musculada, apatia
Prevenção: Ofereça presas de tamanho adequado num calendário sensato e não sobrealimente, o que é comum com a sobrealimentação forçada
Consulte um veterinário com urgência se...
- !Respiração de boca aberta, sibilos ou muco (infeção respiratória)
- !Recusar alimento durante muitas semanas com perda real de peso e de massa muscular
- !Boca inchada com secreção (estomatite/mouth rot)
- !Regurgitar as refeições, sobretudo pouco depois de comer
- !Letargia acentuada, olhos encovados ou uma postura de 'olhar as estrelas', com o corpo retorcido
Em Macau
A humidade de Macau ajuda, na verdade, as pítons-reais a reter a humidade de que necessitam, mas o calor do verão pode sobreaquecer um vivário fechado, pelo que deve usar termóstatos e manter a extremidade fria próxima dos 25 C. O UVB é opcional, mas qualquer lâmpada utilizada deve ser substituída a cada 6 a 12 meses, e devem preferir-se animais criados em cativeiro em vez de importados capturados na natureza, tanto pelo bem-estar como pela fiabilidade na alimentação.
As pítons-reais podem passar meses sem comer durante períodos de jejum naturais, recorrendo às reservas de gordura, o que é um comportamento de sobrevivência normal e não uma doença, desde que se mantenham em boa condição corporal.
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Orientação geral revista pela equipa do Royal Veterinary Center. Não substitui um exame veterinário. Confirme sempre os requisitos específicos da espécie e os requisitos legais para Macau.