
Répteis e Anfíbios
Axolote
Ambystoma mexicanum
Nível de cuidados
Intermédio
Esperança de vida
10 a 15 anos
Tamanho adulto
20 a 30 cm
Uma salamandra mexicana totalmente aquática que mantém as suas brânquias externas plumosas e a forma larvar durante toda a vida, uma característica chamada neotenia. Criticamente ameaçada na natureza, mas comum em cativeiro, é dócil, curiosa e longeva. O aspeto mais importante a acertar é a água fria, limpa e bem ciclada, pois trata-se de um anfíbio, não de um peixe, e não tolera calor nem manuseamento.
Alojamento e montagem
Um adulto sozinho precisa de um aquário totalmente aquático de pelo menos 75 a 110 litros (uma base tipo 20 a 30 galões, formato comprido), sendo que mais água proporciona maior estabilidade de temperatura e de química. Cicle totalmente o aquário antes de introduzir um axolote e utilize uma filtragem suave, de baixo caudal, pois a corrente forte causa-lhe stress. Use apenas fundo nu ou areia fina de aquário; o cascalho e as pedras pequenas representam um risco grave de impactação, porque os axolotes engolem substrato ao alimentarem-se. Disponibilize esconderijos sombreados, como grutas, tubos de PVC e plantas de folha larga, e mantenha o aquário numa zona fresca da casa, ao abrigo da luz solar direta.
Dieta e alimentação
Carnívoro alimentado dentro de água. A base são minhocas ou minhocões, complementados com granulado afundável para salamandras ou axolotes, e petiscos como larvas de mosquito (bloodworm) e blackworms para os juvenis. Não utilize peixes vivos como presa, pois transportam parasitas e doenças e, por serem ricos em tiaminase, podem causar deficiência de vitamina B1; além disso, arriscam ferir as brânquias. Alimente os juvenis diariamente e os adultos a cada dois a três dias, removendo prontamente a comida não consumida para proteger a qualidade da água, e nunca ofereça nada com carapaça dura que possa provocar impactação.
Temperatura, luz e ambiente
A água fria não é negociável: mantenha-a entre 16 e 18 C e nunca deixe ultrapassar cerca de 20 a 22 C, pois o calor provoca stress crónico, imunossupressão e morte; utilize uma ventoinha, um arrefecedor (chiller) ou uma divisão mais fresca, em vez de um aquecedor, que não é necessário. Os axolotes NÃO necessitam de UVB nem de luz intensa e preferem condições ténues e sombreadas, por isso mantenha a iluminação baixa e disponibilize abrigo. Mantenha uma química da água impecável, com amónia e nitrito a 0 ppm, nitrato baixo, pH neutro a ligeiramente alcalino, e utilize um condicionador de água (anticloro); as mudanças parciais de água e os testes regulares são essenciais, porque a amónia queima-lhes a pele e as brânquias.
Companhia e manuseamento
Melhor mantido sozinho e nunca com peixes ou outras espécies. Os axolotes podem morder as brânquias e os membros uns dos outros, e os juvenis podem ser canibais, pelo que a coabitação exige tamanhos idênticos e espaço amplo ou, de preferência, aquários separados. Não devem ser manuseados, exceto quando necessário e com as mãos limpas e molhadas, pois a sua pele é delicada e maioritariamente cartilaginosa; são animais para observar, não para segurar.
Enriquecimento e exercício
Disponibilize grutas, plantas, tubos e locais de repouso sombreados para explorar e se esconder, bem como uma base suficientemente ampla para se deslocar. Um caudal de água suave, blackworms vivos para os juvenis caçarem e um aquário plantado, naturalista e de luz ténue oferecem variedade ambiental sem causar stress a este animal sensível.
Problemas de saúde comuns
Intoxicação por amónia e nitrito (queimaduras químicas)
Sinais: Brânquias esfiapadas, encurvadas ou avermelhadas, pele vermelha e irritada, respiração ofegante à superfície, perda de apetite
Prevenção: Cicle totalmente o aquário, teste a água com regularidade, mantenha a amónia e o nitrito a 0 ppm e faça mudanças parciais de água de rotina
Stress térmico
Sinais: Brânquias a curvarem-se para a frente, recusa de alimento, letargia, agitação, excesso de muco
Prevenção: Mantenha a água entre 16 e 18 C recorrendo a arrefecimento, nunca a um aquecedor, e coloque o aquário afastado do sol e de divisões quentes
Impactação por ingestão de substrato
Sinais: Distensão abdominal, flutuação, ausência de dejetos, perda de apetite, permanecer afastado do fundo
Prevenção: Utilize apenas areia fina ou fundo nu, nunca cascalho ou pedras pequenas, e alimente de forma a evitar a ingestão de substrato
Infeção fúngica (Saprolegnia)
Sinais: Penugem branca e algodoada nas brânquias, na pele ou em feridas, sobretudo em água quente ou suja
Prevenção: Mantenha a água fria e limpa, reduza o stress e as lesões e trate precocemente as feridas e os problemas de qualidade da água
Consulte um veterinário com urgência se...
- !Brânquias a curvarem-se para a frente ou a encolherem, com agitação (stress térmico ou má qualidade da água)
- !Brânquias avermelhadas e esfiapadas ou pele vermelha e irritada (queimadura por amónia)
- !Fungo branco algodoado nas brânquias ou no corpo
- !Flutuação, distensão abdominal ou recusa de alimento durante vários dias
- !Temperatura da água a subir acima de 22 C (emergência, arrefeça de imediato)
Em Macau
O clima quente e húmido de Macau é o maior desafio para os axolotes, porque no verão a temperatura ambiente ultrapassa facilmente a sua faixa segura de 16 a 18 C, pelo que um arrefecedor (chiller), ventoinhas de arrefecimento ou um espaço dedicado com ar condicionado são geralmente essenciais. Não é necessária qualquer lâmpada de UVB, e os compradores devem optar por axolotes criados em cativeiro (a norma), uma vez que as populações selvagens estão criticamente ameaçadas e legalmente protegidas.
Os axolotes conseguem regenerar não só membros perdidos, mas também partes do coração, da coluna e até do cérebro, razão pela qual são intensamente estudados na investigação em medicina regenerativa.
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