
Invertebrados
Bicho-pau indiano
Carausius morosus
Nível de cuidados
Iniciante
Esperança de vida
Cerca de 12 meses a partir da eclosão (aproximadamente 4 a 7 meses como ninfa em crescimento e depois 4 a 6 meses como adulto); alguns indivíduos chegam a cerca de 18 meses.
Tamanho adulto
As fêmeas medem normalmente 8 a 10 cm (80 a 100 mm) de comprimento corporal. Os machos têm apenas cerca de 5 a 6 cm e quase nunca são observados em cativeiro, pois as culturas são exclusivamente de fêmeas (a reprodução é partenogenética).
O bicho-pau indiano é um dos invertebrados mais fáceis e gratificantes de manter, razão exata pela qual é um clássico das salas de aula e um primeiro animal de estimação. Vive à temperatura ambiente normal, não necessita de lâmpada de calor nem de UVB, alimenta-se de folhas comuns de sebes e reproduz-se sozinho, sem parceiro. As duas ressalvas honestas são as seguintes. Primeiro, tem vida curta: conte com cerca de um ano, pelo que é um companheiro para uma estação e não para vários anos. Segundo, e mais importante, esta espécie é reconhecida como praga vegetal invasora em várias partes do mundo, pelo que NUNCA deve ser libertada no exterior e o seu estatuto legal deve ser verificado antes de a adquirir (ver a nota sobre Macau). Os cuidados em si são genuinamente adequados a principiantes, mas a posse responsável significa mantê-lo confinado durante toda a vida e eliminar corretamente os ovos excedentes.
Alojamento e montagem
Recinto mínimo para um a três insetos: cerca de 20 cm de comprimento x 20 cm de largura x 30 cm de altura, sendo sempre preferível maior altura, pois os bichos-pau penduram-se na vertical para mudar a pele. Como regra, o recinto deve ter, em área de base, pelo menos 2x o comprimento corporal do adulto e, em altura, pelo menos 3x o comprimento corporal. Um terrário de rede ou de vidro ou acrílico bem ventilado funciona bem; uma boa circulação de ar previne o bolor. O substrato deve ser simples e fácil de limpar: papel de cozinha ou jornal no fundo, mudado regularmente (evite terra húmida, que favorece o bolor e esconde as fezes). O elemento essencial é um ramalhete de ramos frescos com folhas (o seu alimento) mantido na vertical num frasco de água de gargalo estreito, para que possam trepar e pendurar-se; tape a abertura do frasco com lenço de papel para que os insetos não caiam lá dentro e se afoguem. Disponibilize vários raminhos ou ramos altos para a muda.
Dieta e alimentação
O alimento de base são folhas frescas de silva (amora-silvestre/Rubus) sem pesticidas, que a maioria dos indivíduos aceita ao longo do ano. Boas alternativas e plantas de rotação incluem alfena (ligustro), hera (Hedera), pilriteiro, carvalho, roseira, aveleira e eucalipto. Ofereça as folhas presas a ramos cortados colocados em água, para que se mantenham frescas durante vários dias; substitua-as antes de murcharem ou ganharem bolor. Bebem gotículas de água, pelo que não é necessário um recipiente de água separado. NOTA DE SEGURANÇA PARA O AGREGADO FAMILIAR: várias destas plantas alimentares (sobretudo a alfena, a hera e o carvalho) são tóxicas para cães, gatos e crianças se forem mordidas, pelo que deve manter os ramos cortados e as aparas fora do alcance de outros animais e de crianças pequenas. EVITE dar ao inseto: qualquer folhagem que possa ter sido pulverizada com pesticida, herbicida ou inseticida sistémico; folhas de bermas movimentadas (poluição e resíduos de escape); plantas de floristas ou de centros de jardinagem (habitualmente tratadas quimicamente); feto-ordinário e a maioria dos fetos; e qualquer planta murcha, com bolor ou não identificada. Na dúvida, não a dê.
Temperatura, luz e ambiente
Temperatura: a temperatura ambiente normal de 18 a 25 C é ideal, sendo o ponto ótimo aproximadamente 20 a 24 C; não é necessária lâmpada de aquecimento nem uma descida noturna à parte, desde que a divisão não desça abaixo de cerca de 15 C. NÃO utilize lâmpada de calor, que rapidamente os sobreaquece e desidrata. Iluminação: a luz natural indireta e normal da divisão é suficiente; são noturnos e NÃO necessitam de UVB. Mantenha o terrário fora da luz solar direta, que funciona como uma estufa e pode ser letal. Humidade: moderada, cerca de 60 a 70 por cento, mantida por uma ligeira pulverização das folhas e das paredes do recinto uma vez por dia ou de dois em dois dias. Deixe as superfícies secar entre as pulverizações; condições cronicamente húmidas provocam bolor e são mais perigosas do que um ar ligeiramente seco. Uma boa ventilação é essencial.
Companhia e manuseamento
Esta espécie mantém-se bem sozinha ou em grupo; não é social nem territorial, pelo que o número fica ao seu critério. Não há comportamento de vinculação nem necessidade de formar par para companhia. A sexagem quase nunca é relevante: o efetivo em cativeiro é essencialmente 100 por cento de fêmeas e reproduz-se por partenogénese (nascimento virgem), pelo que uma fêmea sozinha ainda assim porá ovos férteis. Os machos existem na natureza, mas são excecionalmente raros em cativeiro e a maioria dos criadores nunca verá um. Manuseie com suavidade e com pouca frequência: apoie o corpo, nunca puxe um inseto agarrado e nunca o segure por uma pata, o que pode amputá-la.
Enriquecimento e exercício
Enriquecimento para um bicho-pau significa um ambiente naturalista e rico em locais para trepar, e não interação. Disponibilize um emaranhado variado de ramos e folhagem fresca a diferentes alturas, para que possa trepar, procurar alimento e escolher os locais de alimentação; alterne as espécies de plantas oferecidas (silva, hera, pilriteiro, roseira) para dar variedade alimentar. Um amplo espaço vertical permite-lhe realizar o seu comportamento natural mais importante: pendurar-se para mudar de pele. Um manuseamento suave e ocasional sobre uma superfície macia pode fazer parte da aprendizagem supervisionada de uma criança, mas o animal beneficia sobretudo de um recinto bem plantado, tranquilo e com humidade adequada. À noite poderá observar um baloiçar natural (a imitar um raminho ao sabor da brisa), que é um comportamento normal e não sinal de aflição.
Problemas de saúde comuns
Disecdise (muda difícil ou falhada)
Sinais: Pele velha presa às patas ou ao corpo, membros torcidos ou em falta após a muda, inseto preso a meio da saída da pele velha, ou morte durante a muda.
Prevenção: Garanta que o recinto tem, em altura, pelo menos 3x o comprimento corporal, com ramos verticais robustos onde se pendurar, evite a sobrelotação e mantenha a humidade moderada com pulverizações ligeiras e regulares, para que a pele velha se solte de forma limpa.
Desidratação
Sinais: Corpo enrugado ou encarquilhado, letargia, recusa em alimentar-se e mudas falhadas.
Prevenção: Pulverize as folhas e as paredes do recinto diariamente ou de dois em dois dias, para que haja gotículas disponíveis para beber, mantenha folhagem fresca e hidratada disponível e nunca exponha o terrário à luz solar direta nem a uma lâmpada de calor.
Perda de membro / autotomia
Sinais: Uma pata em falta após manuseamento, uma disputa por alimento ou uma muda mal sucedida.
Prevenção: Manuseie com suavidade e nunca puxe um inseto agarrado nem o segure por uma pata; evite a sobrelotação. As ninfas jovens conseguem regenerar uma pata perdida ao longo de mudas sucessivas, mas os adultos não.
Bolor e contaminação fúngica
Sinais: Crescimento felpudo no substrato, nas fezes, nos ovos ou em insetos mortos; cheiro nauseabundo; morte súbita de ninfas.
Prevenção: Use substrato de papel de cozinha ou jornal em vez de terra húmida, remova regularmente o alimento antigo e as fezes, assegure uma forte ventilação e deixe as superfícies secar entre as pulverizações.
Infestação por ácaros e pragas
Sinais: Minúsculos pontos em movimento sobre o inseto, os ovos ou as paredes do recinto; lentidão; ovos que não eclodem.
Prevenção: Mantenha o recinto limpo e não cronicamente húmido, remova prontamente o alimento não consumido e coloque em quarentena ou trate por congelação material vegetal e ovos de proveniência desconhecida.
Envenenamento por pesticidas
Sinais: Tremores súbitos, paralisia ou morte pouco depois de introduzido um novo lote de folhas, afetando frequentemente vários insetos ao mesmo tempo.
Prevenção: Dê apenas folhagem que saiba não ter sido pulverizada; evite plantas de floristas, de centros de jardinagem e de bermas; lave e, em caso de dúvida, não utilize as folhas.
Consulte um veterinário com urgência se...
- !Colapso súbito, tremores ou paralisia pouco depois de adicionado novo alimento (suspeitar de envenenamento por pesticidas; retirar de imediato todas as folhas suspeitas)
- !Um inseto preso na pele velha ou incapaz de concluir uma muda
- !Um corpo enrugado, encarquilhado ou gravemente letárgico, sugerindo desidratação grave
- !Recusa em comer durante vários dias, aliada a fraqueza ou escurecimento do corpo
- !Ácaros visíveis ou crescimento fúngico no próprio inseto, e não apenas no recinto
- !Perda de vários membros, ou uma ferida com exsudação ou descolorada
- !Vários insetos a adoecer ou a morrer ao mesmo tempo (indica um problema ambiental ou de contaminação que necessita de correção urgente)
Em Macau
O clima subtropical quente e húmido de Macau é um risco real para esta espécie. As temperaturas de Verão no interior e a luz solar directa através de uma janela podem fazer com que um terrário ultrapasse largamente o limite seguro de 25 C e provocar stress térmico fatal, por isso mantenha o terrário na zona mais fresca e sombria da sua casa e use ar condicionado durante as ondas de calor; tenha, no entanto, presente que o ar condicionado e os desumidificadores também podem secar demasiado o ar, pelo que deve vigiar a humidade e pulverizar sempre que necessário. O Royal Veterinary Center atende animais exóticos e invertebrados, e vale a pena procurar atempadamente um veterinário com experiência em exóticos, para ter apoio em matéria de maneio e bem-estar quando precisar. Uma nota sobre a lei: a Carausius morosus é tratada como praga vegetal invasora em vários países (por exemplo, exige uma autorização da USDA APHIS nos Estados Unidos e é uma praga estabelecida em algumas partes do mundo), e libertá-la, ou aos seus ovos, no exterior é prejudicial e ilegal nesses locais. Não podemos confirmar se a detenção ou importação desta espécie é actualmente permitida em Macau, pelo que, antes de adquirir um exemplar, verifique as regras em vigor junto do IAM (Instituto para os Assuntos Municipais), bem como quaisquer requisitos de importação ou de protecção fitossanitária. Nunca liberte o insecto nem os seus ovos no ambiente e congele os ovos excedentes durante pelo menos 48 horas (vários dias é mais seguro) antes de os eliminar, para evitar um estabelecimento acidental.
Quase todos os bichos-pau indianos vivos em cativeiro são fêmeas que se clonam a si próprias: põem ovos férteis sem nunca encontrarem um macho, uma forma de nascimento virgem chamada partenogénese. Uma única fêmea pode projetar várias centenas de ovos semelhantes a sementes para o solo ao longo da vida, e é exatamente por isso que a espécie se espalhou e se tornou invasora bem longe da sua Índia natal.
Tem dúvidas sobre o seu animal exótico?
A nossa equipa atende pequenos mamíferos, aves, répteis e peixes. Marque um exame de bem-estar ou uma consulta específica da espécie.
Marcar uma consulta de exóticosFichas de cuidados relacionadas
Orientação geral revista pela equipa do Royal Veterinary Center. Não substitui um exame veterinário. Confirme sempre os requisitos específicos da espécie e os requisitos legais para Macau.